Bagunça

A polícia das idéias na USP

servido por: Leonardo Rocchetti

http://www.youtube.com/watch?v=LegHhv4KYvs

Sei que muitas pessoas engajadas, cultas e afins vão cair de pau, mas, atualmente, a USP é sinônimo de intolerância.

Neste ano, estamos relembrando os 50 anos do Golpe de 64 e qual foi uma das coisas essenciais que o golpe tolheu a população?! A liberdade de expressão, o direito universal das pessoas de discordar de seu ponto de vista.

Agora, relembrando o que aconteceu na semana passada, na USP, onde o professor de direito administrativo, Eduardo Lobo Botelho Gualazzi, foi impedido, de forma abrupta, de compartilhar a opinião dele sobre o Golpe ou, na versão que ele acredita, a Revolução.

Alunos e professores de humanas, na USP, têm uma tendência a hipocrisia, que chega a ser assustadora. Todos gostam de bradar palavras de ordem como direito de expressão, direito de protesto e outras coisas, adoram citações como “posso não concordar com uma só palavra sua, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-la”, de Voltaire, mas a realidade tem sido: posso não concordar com uma só palavra sua e, por este motivo, não permitirei que abra mais a boca.

Voltando ao professor, que defende o Golpe de 64, foi um absurdo a forma como aqueles alunos não respeitaram o direito constitucional dele em expressar-se, não importando se ele apoia o momento histórico em questão. Se ele está certo ou errado, é outra coisa. O que não pode acontecer, em uma universidade, é uma turba não permitir que alguém expresse uma opinião. Tão covarde quanto a ação destes policiais das ideias, que, de forma quase militar, invadiram a sala de aula, impedindo o professor de se expressar, foi a reitoria da USP em não punir os responsáveis. O que a reitoria da USP fez foi “autorizar” essa polícia das ideias por não tomar nenhuma atitude.

Estes estudantes dos cursos de humanas, com pensamentos extremos e maniqueístas, veem a política como o bem contra o mal. Se você discorda de algo, logo torna-se um reacionário para estes. Se discorda da posição política deles, usam, inclusive, a força para não permitir que você se expresse. Esta semelhança com regimes autoritários, como o regime militar imposto a partir do Golpe de 64, é assustadora. Obviamente que não é vista dessa forma por estes. Eles se veem (como veem as próprias ações) como bastiões da razão, os cruzados da igualdade. Veja bem, igualdade, desde que seja a deles… se for diferente, já não serve.

Não vejo o que comemorar com a restituição da democracia e a constituinte, se são cometidos os mesmos erros… e se as posições extremadas e violentas ainda tem lugar em uma universidade, pelo simples fato de haver discordância de ideias.