Contra o tempo

Tô desacelerando!

servido por: Felipe Batista

Devagar, aos poucos, sem pressa: tô desacelerando. Tô tirando o pé do acelerador, metendo o pé no freio. Tô calmo, tranquilo, com a alma em paz. Tô observando mais do que agindo. Tô na defensiva, tô na minha.

Não tô buzinando, não tô dando farol alto. Tô dando passagem. Passa quem quiser seguir viagem! Porque eu tô devagar, tô desacelerando.

Tô desacelerando porque o tempo parece passar cada vez mais rápido… e eu pareço nem percebê-lo indo embora, assim escorrendo pelas mãos. E a única coisa que posso fazer é ir contra ele. Contra o fluxo. É desacelerar.

Tô desacelerando porque tá todo mundo agitado, com a língua afiada e com os ânimos exaltados. Tô curtindo meus amigos, minha família e meus amores. Tô fazendo amor devagar, curtindo cada segundo, desacelerado na medida certa.

É assim que eu tô, é assim que eu vou. Vou seguir desacelerando… e quando quiser, acelero de novo. Pego carona no tempo, que parece passar voando, sempre me acelerando.

Tô bebendo devagar, comendo também. Tô tomando a saideira em goles curtos, demorados. Uma, duas, três. Quantas precisar… só precisa ser devagar.

Tô andando calmo, tranquilo, devagar. Tô curtindo a paisagem, a vida. Tô saindo de casa mais cedo para poder desacelerar, tô parado na direita da escada rolante. Eu não tenho pressa porque, quem quer chegar longe, só precisa chegar. Não importa como. E eu escolhi assim: devagar.