Igreja católica

Divina pena de morte

servido por: Juca Badaró

Na tradicional oração dominical, na pomposa Praça de São Pedro, esta semana, o Papa Francisco pediu que a pena de morte fosse proibida em todo o mundo. Muita gente não sabe, mas só em 2005, com a encíclica Evangelium Vitae, do Papa João Paulo II, a pena capital começou a ser combatida pela religião católica. Até pouco mais de dez anos, a prática de matar alguém, por crimes contra um indivíduo ou contra a sociedade, era aceita e defendida pelo catolicismo cristão. E, claro, como todos nós sabemos, não é difícil compreender porque a Igreja Católica defendia, até 2005, a pena de morte.

Ao longo dos séculos, em nome do Deus deles, os católicos assassinaram, torturaram e massacraram milhões de pessoas, a quem eles chamavam de infiéis, hereges, feiticeiros e bruxas. A igreja do Papa Francisco criou um mecanismo chamado de Inquisição, com o intuito de identificar as heresias e puni-las. Sob o argumento de limpar a sociedade dos impuros e utilizando-se desse organismo papal da morte, o catolicismo promoveu um dos episódios mais bárbaros e mortíferos da história da humanidade. O que se viu foram pessoas sendo torturadas e queimadas em praça pública, com o objetivo de servir de exemplo para aqueles que não rezavam a cartilha da Santa Sé.

Os atos de violências e os assassinatos eram autorizados por bulas papais, que eram assinadas pelos papas da época. Só a título de curiosidade, uma das torturas mais usadas pelos bispos era conhecida como “strappado”, em que as mãos da vítima eram amarradas atrás das costas com uma corda e a pessoa era suspensa do chão, o que acabava por deslocar as juntas dos braços e provocava uma dor quase que insuportável. Para quem acredita que esses episódios fazem parte de um passado longínquo e que deve ser desconsiderado, o organismo da Inquisição existe até hoje, sob o nome de Congregação para a Doutrina da Fé.

Essa congregação católica, que já foi dirigida pelo cardeal Ratzinger, o Papa Bento XVI, é uma das mais antigas da Santa Sé e se chamava, há alguns anos, de Suprema e Sacra Congregação da Inquisição Universal. Em outras palavras, a máquina da morte do catolicismo cristão. Alguns historiadores dizem que a Igreja Católica matou entre 75 e 100 milhões de pessoas ao longo de mil anos de terror e combate ao que eles chamavam de heresia.

Hoje, os cristãos defendem a modéstia de Cristo e dizem que Deus é amor. Hoje, o Papa Francisco, latino e com ares de bom velhinho – fabricado pelo marketing moderno -, vem a público para combater e proibir a pena de morte. Perdoar também é uma dádiva divina, dizem os católicos.