CCBB BH

Nem mesmo todo o oceano

servido por: Ronald Johnston

Com apenas três dias no Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (11, 12 e 13 de abril), “Nem mesmo todo oceano” retrata um dos capítulos mais polêmicos e controversos da recente história brasileira.

O capítulo em questão é o Golpe Militar de 1964, que acabou de completar 50 anos. Ao adaptar o romance de Alcione Araújo, Inez Viana, também diretora do espetáculo, condensou as quase 800 páginas do livro em uma peça de pouco mais de uma hora, mantendo, contudo, o tom narrativo e o relato confessional presente no livro.

Em “Nem mesmo todo o oceano”, Alcione Araújo levanta questões de ética e valores. A história do rapaz pobre no interior de Minas, que se sacrificou de todas as maneiras, vivendo em pensões, até conseguir se formar em medicina no Rio de Janeiro. Que teve memoráveis experiências sexuais e decepções amorosas. Que, por ter sido tão alienado e ingênuo, a apatia política dele o levou a ter um envolvimento com o DOI-CODI e que, inacreditavelmente, se transformou num dos médicos legistas da ditadura, tendo um fim surpreendente (e, ao que tudo indica, trágico).

Na peça, assim como no romance, fatos reais se misturam à ficção. Surgem perguntas sobre o amor, a raiva, a liberdade, a repressão… a riqueza e a pobreza, o bem e o mal, em manifestações que nos são tão familiares. Até mesmo a teoria comunista versus a realidade capitalista, tão fortemente debatida durante o período, marca presença.

interpretada pela Cia. OmondÉ, “Nem mesmo todo o oceano” é um suspense contemporâneo dentro de um romance histórico.

CCBB BH – Teatro II
Nem mesmo todo o oceano – Cia. OmondÉ
11, 12 e 13 de abril
Sexta, às 20h / Sábado e domingo, às 19h
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 80min
Ingresso: 10 reais (inteira) e 05 reais (meia-entrada)
Vendas na bilheteria do CCBB ou pelo site