Deputada quer lei antigay como “presente de Natal”
O parlamento de Uganda pode aprovar uma lei brutal, que implicaria na pena de morte para a homossexualidade. Se eles fizerem isso, milhares de ugandenses poderiam ser executados, apenas por serem gays.
No ano passado, depois da pressão internacional ameaçar o suporte e auxílio à Uganda (inclusive do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para quem o projeto é “odioso”), além de uma enorme manifestação global, o veterano presidente ugandense Yoweri Museveni desistiu desta lei. Mas os distúrbios políticos estão crescendo no país e extremistas religiosos no parlamento estão esperando que a confusão e violência nas ruas distraia a comunidade internacional, nesta segunda tentativa de aprovar essa lei feita de ódio.
Na última vez, só pra se ter uma ideia, um jornal publicou 100 nomes, fotos e endereços (de suspeitos gays) e os identificados foram ameaçados.
Agora mesmo, Uganda está no meio de um tumulto político – o sumiço de milhões, vindos de ajuda financeira internacional, causou um escândalo no parlamento. Essa revolta forneceu, aos extremistas religiosos no parlamento, a chance perfeita de tirar da gaveta a lei homofóbica. A presidente do Parlamento de Uganda chegou a dizer que pretende dar de “presente de Natal”, ao país africano e a todos os ugandenses, a aprovação de uma lei que institui penas duras contra a homossexualidade.
“Os ugandenses querem essa lei como presente de Natal. Eles a pediram e nós lhes daremos esse presente”, disse a deputada Rebecca Kadaga. O projeto tramita, atualmente, numa comissão parlamentar, mas Kadaga, como presidente da Câmara, pode pedir mais pressa na passagem pelo plenário.
Ser gay em Uganda já é perigoso e aterrorizante. A prática homossexual já é crime no país, bem como em 36 outros países africanos. LGBTs em Uganda são frequentemente assediados e espancados. Ano passado, o ativista de direitos gays, David Kato, foi brutalmente assassinado na própria casa. Agora, os ugandenses da comunidade LGBT estão ainda mais ameaçados por essa lei draconiana, que pode impor prisão perpétua a pessoas condenadas por relações com o mesmo sexo e a pena de morte para “criminosos graves”. Até mesmo ONGs, trabalhando para prevenir a disseminação do HIV, podem ser condenadas por “promover a homossexualidade”, bem como qualquer um que tiver “cumplicidade” com a prática.