Conexão Brasil-Cuba-Londres
Estava de férias. Passei dias incríveis na companhia de dois dos meus melhores amigos. A cidade, onde dizem que só chove, me presenteou com dias lindos de sol. Caminhei pelas ruas de Wimbledon como moradora. Usei e abusei do Oyster. Andei de trem, de ônibus. Peguei metrô no horário de pico para uma simples comparação com o dia a dia em São Paulo. Na escada rolante, a esquerda sempre livre para quem quisesse passar. Gastei a sola do sapato nas ruas da capital inglesa.
Entrei num supermercado onde se vende comida natural e fresca para consumo imediato. E sentei num gramado verde. No outro dia, na escadaria da igreja e, como fazem os londrinos, por ali almocei. Fui a museus (praticamente todos os dias, eu me enfiava em um!), todos de graça e sem fila.
Circulava pela cidade com o celular na mão – sem medo – para achar, no mapa, novos caminhos para novas descobertas.
No supermercado, produtos como iogurte, massa, molho, cereal, chocolate, frutas, legumes, frios… não custam mais que uma libra.
Passei dias incríveis numa cidade onde as pessoas se aceitam, onde você não é olhado de maneira hostil por vestir roupa curta ou ter cabelo rosa. Lá, há espaço para todos, porque eles se respeitam, porque a civilidade e o próximo estão acima de preceitos rotulados por meia dúzia de gente sem escrúpulos.
Enquanto isso, há dois dias, volto à minha rotina e me deparo com a fatídica falta de educação nas ruas. No metrô, um mané entra pela porta de saída e esbarra em todo mundo, sem ao menos pedir desculpa. A senhora que fura a fila na catraca e me ignora solenemente como se eu não existisse.
Hoje, abro a internet e me deparo com a estupidez, a ignorância de letrados e diplomados, que juraram salvar vidas. Médicos brasileiros hostilizaram, xingaram e cuspiram nos profissionais cubanos que chegavam no aeroporto de Fortaleza.
Na periferia, não tem médico, não tem hospital, não tem equipamentos básicos para diagnóstico. São milhares de pessoas abandonadas, que imploram por uma consulta por meses e até anos. Não virei atendente do SUS, mas, todos os dias, recebo pelo menos duas ligações e uns cinco e-mails com a mesma queixa. Elas não sabem por quem serão tratadas, o que elas não querem mais ouvir é “não temos médico”.
A propósito: eu passei muito mal em Cuba, quando estive lá, e o médico que me atendeu não precisou de muito para me manter hidratada e viva numa ilha de 25km de extensão, onde os recursos básicos eram injeção, soro com minerais e uma dieta. Até isso o governo brasileiro falta com o cidadão.