Wilder
Provavelmente todos aqui já devem ter ouvido falar sobre os cinco estágios do luto. O modelo foi proposto pela psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross (Google it) e enumera as fases da seguinte forma: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Blá, blá, blá…
Enfim…
Talvez esse texto seja a minha maneira para chegar na última fase do luto em relação à partida de Gene Wilder.
Um dos maiores da comédia, o ator morreu no último dia 29 de agosto. Parece que a Dona Morte está tentando alegrar demais o andar lá de cima: Alan Rickman, Bud Spencer, Elke Maravilha, George Gaynes, Guilherme Karan, Rubén “Professor Girafales” Aguirre e – agora – Wilder.
Vivemos tempos estranhos… e meus colegas, aqui do SHOTS, têm tentado explicar o porquê, escrever sobre e analisar esse momento. Da minha parte, ao ver todos os nomes na lista do parágrafo anterior, lembro da última página da primeira edição de Watchmen.

Não deixa de ser interessante pensar na obra de Wilder (como ator, roteirista e diretor) e entender como rir pode ser importante! Os personagens dele navegavam – brilhantemente – entre a ternura, a pureza e o cinismo, criando uma histriônica vertente de comédia. Impossível não ser conquistado por aquele que é o personagem mais famoso dele. O Willy Wonka de Wilder conseguia alcançar extremos: ao ser assustador em um determinado momento e, já na cena seguinte, se mostrar afetuoso e generoso…
Teddy Pierce, ao cair nos encantos da Charlotte (Kelly Le Brock), é a nossa versão mais certinha, que peca pela adrenalina que vem desse ato… porém, na hora de ceder a tentação, se arrepende. Não pelo medo de ser flagrado, mas pelo fato de entender que é extremamente feliz com o que tem.
Posso passar horas citando personagens. A parceria com Richard Pryor, a pareceria com Mel Brooks. Mas acho que os filmes irão cumprir essa tarefa de homenagear o inesquecível judeu-budista-ateu.
Wilder tinha 83 anos.
Depois de nos alegrar um bocado, cansou de se deparar com “palavrões, explosões e assassinatos em 3D”.
Foram mais de 20 filmes em 30 e tantos anos de carreira. E ele nunca foi maldoso ou desrespeitoso. Era irônico, era debochado, era muito bobo… no entanto, o mais importante: sempre terno.
De acordo com a família, Wilder morreu escutando o tema do filme “O Mágico de Oz”, na versão gravada por Ella Fitzgerald. Cara, se isso não diz tudo que precisamos saber sobre ele, não sei o que mais poderia…